na caixa: top 10 descobertas musicais de 2013

sigo a brincadeira de propor uma lista com as 10 melhores músicas que conheci no ano. nas edições passadas, eu me revelava à sorrateira por detrás dos meus gostos, mas, dessa vez, indicar as preferências implicou praticamente tecer uma mixtape pro período: quase todas as músicas estiveram, em algum ponto do ano, no topo das minhas mais escutadas pelo simples motivo de que eu precisava delas lá. é, portanto, a lista mais escandalosa e, por isso mesmo, a de menor pretensão (já que, mais que nunca, diz respeito à minha bagagem e só).

continua o esquema de hábito: podem integrar a lista músicas que eu nunca tenha ouvido até o início desse ano, não importando a sua data de lançamento. só entra, no máximo, uma faixa por autor. quem quiser conferir as ditas cujas pode clicar sobre as imagens: todos os itens têm um link pra acompanhamento, ora de versões de estúdio ou ao vivo, ora de clipes.

Explosions in the sky
10 | look into the air | explosions in the sky | 2000

busquei no how strange, innocence o tipo de conforto que encontro no gentle stream dos the amazing. pralém do tom, me parecem discos assemelhados porque ambos têm esse quê fluido que não deixa cê saber onde termina e começa que música. o cadinho mais elétrico desse aqui, um tanto diferente do outro álbum, me caiu especialmente bem porque era justo do que eu precisava no momento em que cheguei a ele: quando escorreguei no look into the air, através desse vídeo inspiradorzíssimo, a catarse foi das fortes.

Filipe Catto
9 | roupa do corpo | filipe catto | 2011

tava voltando pra casa numa chuva chuvíssima. no corredor de ônibus, cuidei pra ficar longe da mureta, pra não levar um banho dos carros apressados. enquanto o catto me cantava no ouvido a dupla rima rica, frase feita / puro teatro — que, mais tarde, apelidei de «trilha sonora oficial da urucubaca» —, veio um banho do outro lado, dum ônibus imprevisto. sem problema: larguei rapidinho minhas coisas em casa e corri de volta pro pátio do prédio, dessa vez pra tomar um banho de chuva de verdade, cantando (ou entoando como mantra) a roupa do corpo, antídoto dos bons.

Xoel López
8 | hombre de ninguna parte | xoel lópez | 2012

não é porque está montando um álbum sul-americanamente ensolarado que o xoel lópez vai largar o seu sotaque espanhol, mas dá de ver, aqui e ali, que o acento não fica intacto. taí o que tanto me interessa no atlántico: submetido voluntariamente a um caleidoscópio identitário, xoel se municia do que de melhor encontra à volta e senta pra encarar o sol — que, por sinal, extrapolados uns graus ao norte e ao sul, é quase o mesmo que enxergo eu todo dia. aqui, ele não é de parte alguma, mas ele se é. já pode gritar bingo.

Justin Timberlake
7 | futuresex/lovesounds | justin timberlake | 2007

não passei a última década debaixo das pedras, mas não fazia ideia de que as músicas do justin eram do justin. ouvir o futuresex/lovesounds inteiro foi uma revelação, não só por ter sido um acerto de contas inevitável que finalmente teve lugar, mas também porque não me pôde deixar de ser impressionante como ele, numa pretensão desmiolada e bem executada como a peste, plasma tão bem a dança do acasalamento em música.

Valesca Popozuda
6 | beijinho no ombro | valesca popozuda | 2013

é meio absurda a quantidade de versos memoráveis em beijinho no ombro: fica parecendo que os produtores da valesca se juntaram pra montar um compêndio inspirado de pensamentos representativos da vida moderna corriqueira e foram podando as arestas todas da lista até chegar a essa versão final, irrepreensível. mas daí soa tudo tão espontâneo e dela, que eu não sei pronde correr. fico onde tô, então, e desço até o chão.

Fiona Apple
5 | hot knife | fiona apple | 2012

com valentine, eu já tinha notado que a fiona apple sabia o que tava fazendo, mas foi no todo do the idler wheel […] que vi uma artista sem fim, não só consciente, como à vontadíssima na sua dicção. é em hot knife que isso fica mais claro: a fiona larga tudo em tom menor e faz um joguete na chave entoativa, obstruindo as engrenagens e quebrando os mecanismos todos — ela não precisa deles, afinal de contas. de brinde, vem o clipe do ano.

Maria João & Mário Laginha
4 | unravel | maria joão & mário laginha | 2002

disse uma vez o guto que ele desmontou quando ouviu a maria joão ao vivo. à época, fui atrás da beatriz, que não me largou sem deixar marcas, mas tampouco me pegou de primeira. há umas semanas, depois de recomendações renovadas, doutros amigos, voltei a buscar trabalhos da moça. sem saber, caí nessa releitura quase impensável do unravel da björk (a joão e o laginha dão à luz uma locomotiva), que, aí sim, me arrebatou sem volta.

Márcia & JP Simões
3 | a pele que há em mim (quando o dia entardeceu) | márcia & jp simões | 2011

a precisão dos versos, aqui, é tamanha, que eu desconfio que só fui entender o que tinha acontecido na minha vida (e, ressalvadas as proporções, essa deve ser a canção com que mais me consigo identificar, esse ano) depois de ouvir essa música. se, no restante do , a márcia me parece uma promessa charmosa com o arroz quase no ponto, nesse momento — e cumpre dizer que a canção saiu um ano mais tarde, na re-edição do álbum —, ela coloca, todos no lugar certo, os feijões que catou com um bocado de cuidado, madura.

Els amics de les arts
2 | louisiana o els camps de cotó | els amics de les arts | 2012

o catalão, que já me vinha fisgando há uns anos, virou, nesse, quase item de sobrevivência. cheguei no espècies per catalogar um bocado precisado dum cantinho arejado e nele encontrei alguns dos meus contos-canção favoritos. de lá pra cá, pelo menos umas cinco músicas se ficavam revezando na minha preferência (é mesmo um disco cheio de joias), mas destaco louisiana pelo seu apelo diretíssimo a mim: talvez seja a canção definitiva sobre morar longe da família, e já tem uns dez anos que, de algum ângulo, eu entendo disso.

Marli
1 | macumba pirata | marli | 2013

do zilhão de coisas maravilhosas que a internet brasileira tem a oferecer, pode ser que a marli seja a melhor. o projeto é um tour de force do witched, o produtor, que vem montando há quase uma década uma personagem sofisticadíssima que, se pautando na apropriação do absurdo, na sátira do conceito e na colagem de referências improváveis, é —sem querer ser — a nossa última tropicalista. na macumba pirata, a dupla atinge um patamar tal, que não pude deixar de espalhar pela casa post-its com seus melhores versos.

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