No projetor: Top 10 descobertas cinematográficas de 2012

Parece que, de todos os lados que você olhe, esse foi um ano de virada para mim. De longe, a mudança mais evidente fica por conta do cinema. Antes de que acabasse janeiro, já tinha topado com um novo filme favorito da vida, superando o Bastardos inglórios que vinha imbatível desde 2009. No meio de maio, revisitei outro a que tinha assistido umas poucas semanas antes e descobri aquele que é hoje o maior dono do meu coração cinéfilo – que, convenhamos, mais parece bolsa de valores, com os tantos amores verdadeiros que tem.

Tive acesso a um bocado de coisa bacana nesse primeiro ano de frequentador assíduo da sala Redenção (e do circuito alternativo de Porto Alegre, em geral). Minha dívida com os clássicos ainda é proibitiva, mas, se há que se começar a reverter a situação de algum jeito, acho que não estou lá tão fugido do caminho: foram, no total, pouco mais de 200 filmes assistidos, 111 dos quais, vistos no cinema; desses, mais de metade não era lançamento.

Na lista que segue, reúno os meus filmes favoritos que tenham sido lançados antes de 2010 e a que eu tenha assistido pela primeira vez desde janeiro desse ano. Também limito uma menção por diretor: do contrário, a lista pertenceria ao Antonioni, de quem assisti boa parte da filmografia lindona numa mostra especial. Como prêmio de consolação, cito os três dele que provavelmente fariam parte duma seleção menos rígida (O eclipse, Profissão: repórter, Blow-up – depois daquele beijo) e outros dois que, por pouquíssimo, ficaram de fora: Magnólia (Anderson) e Mal dos trópicos (Weerasethakul). À lista, enfim:

Fados
10 | Fados | Carlos Saura | 2007

Tropecei nesse filme porque fazia dobradinha na sala Redenção com Tango, do mesmo Saura, e achei que fosse uma boa arriscar ver, também, esse outro. No pior dos cenários, eu já teria aproveitado o meio tempo entre as sessões para jantar no RU e não precisaria fazer comida em casa. Fui às escuras e tomei vários sustos: o maior deles, quando percebi que, de fato, aquele documentário musical sobre fado incluindo Caetano cantando em falsete com sotaque português talvez fosse um dos grandes filmes que tivesse visto na vida.

O sétimo continente
9 | O sétimo continente | Michael Haneke | 1989

Poucas coisas me deixam tão desconfortável quanto estar com a família dentro dum carro no lava-a-jato. Parece que em algum momento a pressão dos limpadores sobre os vidros vai fugir do controle da máquina e que, estando lá dentro, se está sujeito a ser atingido pelos estilhaços mil, sem escapatória. Haneke usa essa minha angústia (mais de uma vez) para contar justo a história duma família a quem o adjetivo estilhaçada muito parece caber.

Yellow submarine
8 | Submarino amarelo | George Dunning | 1968

A grande pauta do filme é a psicodelia e só isso já tornaria minha ideia meio impraticável, mas, veja bem, o que me pegou de jeito aqui foi mesmo a impressão de que todo mundo no projeto sabia, na minúcia, o que estava fazendo. Um tempo depois, a reação imediata ainda se sustenta forte: parece das obras mais redondas a que já assisti. A pedidos, mas com todo o mérito, o primeiro (e único, por enquanto) filme que aplaudi no fim da sessão.

Elemento de um crime
7 | Elemento de um crime | Lars von Trier | 1984

Ao contrário da maioria das pessoas, não tenho muito problema com violência no cinema. O que me encuca mesmo são duas coisas: répteis (alô, Vício frenético do Herzog, estou falando com você!) e calor (até em A escolha de Sofia). Se a primeira fica limitada a um par de cenas, a última costuma perdurar o filme inteiro e me deixar suando junto. Aqui, não há iguanas (só lêmures), mas somando-se ao calor o amarelo inescapável e a noite que nunca cede, tem-se das mais bem resolvidas visões apocalípticas em que já pus os olhos.

Apocalypse now
6 | Apocalypse now | Francis Ford Coppola | 1979

Era para ser um baita dum dia, mas era segunda-feira e o cinema da Casa de cultura não fazia expediente. Matei a tarde no jardim, mais pensando na vida que lendo o livro que tinha nas mãos. Quando a crise bateu, não havia uma só alma amiga por perto, nem celular que fosse atendido. Restou só a sessão noturna da sala Redenção. Não decepcionou: parecia que o objetivo do Coppola era fazer meu cérebro virar ovo frito a cada cinco minutos de filme. Saí de lá exausto, mas deliciado com o seu vidro de cenas antológicas em conserva.

Império dos sonhos
5 | Império dos sonhos | David Lynch | 2006

A Laura Dern está tão – mas tão – sensacional aqui, que esse filme quase passaria batido como um veículo para a sua tour de force, não fosse claramente mais um quebra-cabeça de outro mundo do Lynch sobre metalinguagem cinematográfica. Eu, no meu cantinho, apavorado da vida, fiquei me sujeitando às três horas de enquadramentos invasores, reviravoltas louconas e coelhos mal encarados. Feliz.

Um filme falado
4 | Um filme falado | Manoel de Oliveira | 2003

Estourado o champagne, conferi de dentro do apartamento os fogos de artifício lá na chuva. Era ano novo e não tinha muito o que fazer. Minha irmã sugeriu que, ao invés de ir logo dormir, a gente visse algum filme. A escolha não foi das mais tranquilas (ora, queria começar o ano com o pé direito!), mas, em retrospecto, parece das mais sábias: vinte minutos mar adentro, estava eu lá, tão extasiado com essa história simples, gigante e universal quanto me permitia aquele sotaque português, à época, impenetrável.

Macunaíma
3 | Macunaíma | Joaquim Pedro de Andrade | 1969

Regina Duarte é pouco. Não há quem tenha o pavor que eu sentia de Macunaíma, o livro. No contra a todas as expectativas, foi amor à primeira vista. Digo que, no todo, não foi pouca a serventia de ter visto o filme logo em seguida, antes que assentasse a empolgação: é provável que pouco daquela piração toda faça sentido para quem não leu o livro, mas, por isso mesmo, é dos melhores roteiros adaptados e, certo, certo, dos grandes filmes do Brasil.

A primeira noite de tranquilidade
2 | A primeira noite de tranquilidade | Valerio Zurlini | 1972

Não teve choro nem crise existencial. O italiano que destronou o Tarantino como diretor do meu filme predileto conseguiu o posto sem nenhum espalhafato. Muito pesou a seu favor o cabelo ensebado do Alain Delon, talvez a melhor expressão de cansaço com que já topei. Me impressiona o retrato da melancolia de quem percorre tranquilo o destino incontornável, que, mesmo nas curvas mais impensáveis, leva invariavelmente a um fim comum.

Zabriskie Point
1 | Zabriskie Point | Michelangelo Antonioni | 1970

Em vez do ser político, o herói do Antonioni aqui é aquele do dedo opositor. Faz tudo o que sempre se quer fazer: agir. Ouve, fala, cansa, vai embora, se perde, voa, seduz, escorrega, grita, beija, transa, se esconde, apronta, vai embora. Mais que intempestivo, sabe o que o espera e está pronto para encarar o que estiver por vir: continua até que se lhe permitam. Das mensagens mais óbvias, mas perigosas, porque esclarecedoras e impraticáveis.

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Na caixa: Top 10 descobertas musicais de 2012

Nesse ano, por mais que tivesse à mão um bocado de amigos com gostos musicais respeitáveis cheios de dicas para dar, não dei ouvidos ao que praticamente ninguém tinha a dizer. Segui com minhas frescuras e desbravei quase sozinho a parte do mundo que chegou até a mim. Do resultado, selecionei uns belos exemplares e montei a lista brincalhona que vem a seguir, totalmente inconsequente, mas ciente do seu lugar pouco no jogo todo.

Sigo, aqui, as mesmas regras do ano passado: entram músicas que eu nunca tinha ouvido até o início desse ano, não importando a época de lançamento. Também repito o limite de uma faixa por autor. Todas elas, aliás, têm um link para acompanhamento, seja de versões de estúdio, clipes ou de performances ao vivo: se quiser ouvir, é só clicar sobre a imagem.

Sharon Van Etten
10 | Serpents | Sharon Van Etten | 2012

Quando saí em busca de teto em Porto Alegre pela primeira vez, era Give out a música que tocava sem parar na minha jukebox mental. Uns meses depois, já assentado, deixei que Serpents tomasse o seu lugar. Virou uma espécie de mantra pessoal por um tempo: romper com a serpente, de fato o bicho que me tira do sério, me pareceu uma boa ideia a colocar em prática. Se hoje Tramp não me soa um disco tão marcante assim, no mínimo, dessas duas canções bem possantes Sharon se pode gabar.

The Amazing
9 | Gone | The Amazing | 2011

Se Gentle stream, o mais recente disco dos Amazing, é o refúgio inconsciente ao qual venho recorrendo quase sempre quando tenho dúvidas de quem escutar, certamente não é porque eu tenha feito muito esforço para que isso acontecesse: suponho que a explicação esteja em o álbum ser mesmo essa correnteza gentil que me garante a sobrevivência e me faz cafuné nos neurônios. Mesmo por isso, fica bem complicado destacar uma canção das sete (é tudo tão mais coeso junto), mas, por ora, me parece que Gone tem um teco a mais. Que siga o curso e desemboque no ouvido de muita gente mais.

Regina Spektor
8 | Rejazz | Regina Spektor | 2001

Tinha medo dos primeiros discos da Regina (céus, a capa do Soviet Kitsch!), mas quando finalmente os escutei — meio que num momento de descuido dos dramas — descobri dois álbuns lindo lindões. Rejazz, em específico, talvez me fale com tanta força porque topei com ela justo no momento em que mais precisava de algo do tipo. Mais que um par de vezes, naquela época, dei por mim acompanhando a letras aos berros (já umas doses de cachaça mais tarde), enquanto estava sozinho em casa. Pobres dos meus vizinhos.

Manel
7 | Al mar! | Manel | 2007

O Manel ataca novamente. O álbum de estreia de fato não é tão genial quanto o seu sucessor, mas, dentre as gratas surpresas, essa canção praieira (que parece ser mesmo a melhor música do mundo para se escutar na primeira hora da manhã na beirada do mar) traz o que de melhor tem marcado sua discografia: a letra enorme, entregue como numa conversa despreocupada, e a melodia um tico épica.

Maria de Medeiros
6 | Acorda amor | Maria de Medeiros | 2006

Ao que tudo indica, mesmo quando não estiver presente, o Chico vai ser habituê dessas listas. Lá pelo meio do ano, numa das minhas sempre produtivas caçadas sem rumo pela rede, descobri a Maria cantando Sentimental. Corri atrás do seu disco de releituras da MPB e, quando achei, foi no Acorda amor que ela me conquistou de vez. Linkada vem a charmosíssima apresentação bilíngue em que ela encena a canção para um público francês.

Raffaella Carrà
5 | En el amor todo es empezar | Raffaella Carrà | 1976

Quando fui atrás desse mito italiano numa madrugada de tédio na praia, não fazia a remota ideia de que estava a um clique duma revolução em mim mesmo. Depois do explota me explota me explo e de todos os seus correspondentes nas principais línguas indo-europeias (em italiano, francês, inglês, alemão e, veja bem!, até em português, numa versão toda marota do Sidney Magal), saí à caça doutros sucessos instantâneos e o que descobri foi uma loiraça de roupas ousadas/futuristas/bregas que tem muito mais a dizer sobre o que quer da vida do que eu próprio. Aproveito para agradecer ao vizinho desconhecido que me proporcionou essa experiência renovadora deixando a wireless sem senha. Bendito seja!

Andrew Bird
4 | Lazy projector | Andrew Bird | 2012

Tenho um amorzinho bem grande pelo Break it yourself desde que descobri o disco dum jeito meio obscuro (stalkeando conhecidos de conhecidos no last.fm): formou, junto com o A larum, do Johnny Flynn (injustiçado na lista), a minha grande trilha sonora matinal por uns bons meses. Mas não foi sem susto que soube algum tempo depois que foi Andrew Bird o moço que mais escutei esse ano. O álbum todo é mesmo uma belezoca, mas escolho essa canção pela sua baita companhia nas pedaladas pelo interior da minha cidade natal, nas quais perdi um cadinho de calorias e achei um tantão de mim mesmo.

Jeanne Moreau
3 | Joana francesa | Jeanne Moreau | 1973

Essa eu também descobri na voz da Maria de Medeiros, que é, do seu jeito, muito boa, mas nem de longe tão significativa quanto essa versão aqui. Enquanto a Medeiros faz um trabalho impecável de pronúncia, aqui são em boa parte as arestas da Moreau no português, as responsáveis pela lindeza da coisa toda. Não deu nem tempo: ouvi pela primeira vez e já mandei prum par de amigas, acompanhado duma primeira impressão ingênua, mas que se mantém até agora: «ouçam: é das coisas por que vale a pena viver».

João Gilberto
2 | Chega de saudade | João Gilberto | 1959

Das canções brasileiras clássicas, eis outra que só fui conhecer por agora. Volta e meia ouvia falar dum moço talentoso que mudou um bocado o nosso jeito de entender a música, mas só fui ter a dimensão do que isso de fato representava lá pela terceira audição dessa versão. Das primeiras vezes, me parecia simples demais: daí me dei conta de quão obscena é essa simplicidade e de como é lindo viver num mundo pós-João Gilberto, em que posso me dar o luxo de cantarolar isso perambulando pelo supermercado na procura de Lebkuchen.

Frank Ocean
1 | Pyramids | Frank Ocean | 2012

De tanto eu a escutar, virou uma unidade de medida de tempo: sei que o shopping fica, a pé, a uma Pyramids e meia do meu apê. O que me pega tanto é que não se trata duma música, mas dum portal para o álbum de que faz parte; e falo aqui de channel ORANGE, o disco do ano. O projeto é meio cretino (pô, dura dez minutos!), mas a realização aninha ali um mundo todo — um quê espinhoso e dolorido, é verdade, mas tão cheio de joias quanto esse outro cá fora. A reação que me suscita (e, desde já, me escuso do descaramento com que jogo isso ao vento) me faz pensar nela como se fosse essa uma Construção de hoje.

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No projetor: Os vencedores do Quati de ouro 2011

Foi um ano de escolhas fáceis, ainda que não de vacas magras: em geral, as categorias tinham muitos candidatos a indicação, mas os vencedores já se tinham destacado há um bocado de tempo. Melhor fotografia, por exemplo, tinha 15 contenders fortíssimos até poucos minutos antes da seleção dos cinco oficiais – dois dos quais entraram no último dia do prazo. O vencedor, contudo, se manteve intacto como tal desde outubro passado.

Assim, deu-se um fenômeno interessante e triste em que algumas obras foram quase-lembradas em várias áreas, mas acabaram passando batido totalmente. Remedio agora: aos bastardos inglórios J. Edgar e O Porto, meus cabidos reconhecimentos.

Sem mais, dos indicados ao Quati de ouro, eis os melhores nas suas respectivas categorias:

Melhor cena


O encontro, A Árvore da Vida

Melhor trilha original


Alberto Iglesias, O Espião que Sabia Demais

Melhor montagem


Matthew Newman, Drive

Melhor fotografia


Emmanuel Lubezki, A Árvore da Vida

Melhor filme da animação


Rango

Melhor filme de estreia


Las Acacias, de Pablo Giorgelli

Melhor roteiro adaptado


Hossein Amini, Drive

Melhor roteiro original


Terrence Malick, A Árvore da Vida

Melhor atriz coadjuvante


Elle Fanning, Super 8

Melhor ator coadjuvante


Michael Fassbender, X-Men: Primeira Classe

Melhor atriz principal


Michelle Williams, Sete Dias com Marilyn

Melhor ator principal


Ryan Gosling, Drive

Melhor elenco


Irmãs Jamais

Melhor direção


Terrence Malick, A Árvore da Vida

Melhor filme


Drive, de Nicolas Winding Refn

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No projetor: Os indicados ao Quati de ouro 2011

Esta é a terceira edição duma premiação toda peculiar (e minha). Em 2009, em meio à empolgação com a corrida do Oscar, comecei a esboçar uma lista com meus filmes favoritos daquele ano. Depois de meses de trabalho, ela tomou um formato bem parecido com esse que vai hoje a público pela primeira vez. A dois anos do início, algumas categorias foram enxugadas, outras extintas; o prêmio ganhou um mascote simpático e até um logo.

Não mudaram, porém, a composição do júri – exclusivamente eu mesmo – e as regras do jogo: concorre qualquer filme que tenha sido lançado pela primeira vez em 2011 em algum canto do mundo (fujo, assim, das limitações do circuito brasileiro) a que eu tenha assistido entre 1º de janeiro de 2011 e 30 de junho de 2012. Para os curiosos, a lista dos elegíveis está disponível aqui. Os vencedores serão divulgados em duas semanas, em 15 de julho. Sem mais delongas, seguem aí os excelentíssimos indicados ao Quati de ouro de 2011.

Melhor filme


Las Acacias, de Pablo Giorgelli


Adeus, Primeiro Amor, de Mia Hansen-Løve


A Árvore da Vida, de Terrence Malick


Book chon bang hyang, de Hong Sang-soo


Caminho para o Nada, de Monte Hellman


Drive, de Nicolas Winding Refn


Fausto, de Aleksandr Sokurov


A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese


Irmãs Jamais, de Marco Bellocchio


Snowtown, de Justin Kurzel

Menções honrosas


Cavalo de Turim, de Béla Tarr e Ágnes Hranitzky


Frango com Ameixas, de Marjane Satrapi e Vincent Parronnaud


O Garoto da Bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne


Millennium: os Homens que Não Amavam as Mulheres, de David Fincher


O que Eu Mais Desejo, de Hirokazu Kore-e-eda

Melhor direção


Marco Bellochio, Irmãs Jamais


Monte Hellman, Caminho para o Nada


Terrence Malick, A Árvore da Vida


Aleksandr Sokurov, Fausto


Nicolas Winding Refn, Drive

Melhor elenco


A Árvore da Vida


Frango com Ameixas


Irmãs Jamais


Meia-noite em Paris


Missão Madrinha de Casamento

Melhor ator principal


Pier Giorgio Bellocchio, Irmãs Jamais


Ryan Gosling, Drive


Gary Oldman, O Espião que Sabia Demais


Michel Piccoli, Habemus Papam


Germán de Silva, Las Acacias

Melhor atriz principal


Lola Créton, Adeus, Primeiro Amor


Cécile de France, O Garoto da Bicicleta


Shannyn Sossamon, Caminho para o Nada


Meryl Streep, A Dama de Ferro


Michelle Williams, Sete Dias com Marilyn

Melhor ator coadjuvante


Anton Adasinskiy, Fausto


Taner Birsel, Era uma Vez na Anatólia


Adrien Brody, Meia-noite em Paris


Michael Fassbender, X-Men: Primeira Classe


Daniel Henshaw, Snowtown

Melhor atriz coadjuvante


Jessica Chastain, A Árvore da Vida


Marion Cotillard, Meia-noite em Paris


Elle Fanning, Super 8


Charlotte Gainsbourg, Melancolia


Maria de Medeiros, Frango com Ameixas

Melhor roteiro original


Pablo Giorgelli e Salvador Roselli, Las Acacias


Terrence Malick, A Árvore da Vida


Hong Sang-soo, Book chon bang hyang


Marco Bellocchio, Irmãs Jamais


Hirokazu Kore-e-eda, O que Eu Mais Desejo

Melhor roteiro adaptado


Roman Polanski e Yasmina Reza, Deus da Carnificina


Hossein Amini, Drive


Bridget O’Connor e Peter Straughan, O Espião que Sabia Demais


Aleksandr Sokurov, Marina Koreneva e Yuri Arabov, Fausto


Andrea Arnold e Olivia Hetreed, O Morro dos Ventos Uivantes

Melhor filme de estreia


Las Acacias, de Pablo Giorgelli


Bellflower, de Evan Glodell


Medianeras: Buenos Aires da Era do Amor Virtual, de Gustavo Taretto


Os Muppets, de James Bobin


Snowtown, de Justin Kurzel

Melhor filme da animação


As Aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne


Um Gato em Paris


Rango

Melhor fotografia


Emmanuel Lubezki, A Árvore da Vida


Bruno Delbonnel, Fausto


Christophe Beaucarne, Frango com Ameixas


Lech Majewski e Adam Sikora, O Moinho e a Cruz


Robbie Ryan, O Morro dos Ventos Uivantes

Melhor montagem


Hank Corwin, Jay Rabinowitz, Daniel Rezende, Billy Weber e Mark Yoshikawa,
A Árvore da Vida


Céline Ameslon, Caminho para o Nada


Matthew Newman, Drive


Kirk Baxter e Angus Wall, Millennium: os Homens que Não Amavam as Mulheres


Veronika Jenet, Snowtown

Melhor trilha original


Mihály Vig, Cavalo de Turim


Alberto Iglesias, O Espião que Sabia Demais


Trent Reznor e Atticus Ross, Millennium: os Homens que Não Amavam as Mulheres


Alberto Iglesias, A Pele que Habito


Jed Kurzel, Snowtown

Melhor cena


O encontro, A Árvore da Vida


Um beijo no elevador, Drive


Diga xis, O Moinho e a Cruz


Curativo, O Morro dos Ventos Uivantes


Hora da refeição, Snowtown

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No projetor: Top 10 descobertas cinematográficas de 2011

Trazendo, para o cinema, a brincadeira que foi a lista de melhores músicas pessoalmente inéditas, tive a ideia de compilar não os grandes lançamentos do ano, mas sim os descobrimentos mais bacanas do período. Assim, evito o dilema inevitável que é optar entre o circuito nacional e internacional, confusão de deixar qualquer um de cabelo em pé.

Reúno aqui apenas filmes anteriores a 2009, a que tenha assistido pela primeira vez desde janeiro. Sabendo que seria um ano bastante corrido, optei por selecionar com rigor os filmes que iria conferir. Dei preferência a uma cambada de diretores que ainda não conhecia, escolhendo obras de grande repercussão. Não é por nada, então, que metade dos trabalhos listados tenham sido minhas primeiras incursões no cinema de seus autores.

Vale citar que, numa lista um pouco mais encorpada, teriam vez Síndromes e um Século (Weerasethakul), A Divina Comédia (de Oliveira), Ilusões de Órbita (Šulík), A Melhor Juventude (Giordana) e A Rosa Púrpura do Cairo (Allen). Sem mais delongas, os finalistas:

O Céu de Suely
10 | O Céu de Suely | Karim Aïnouz | 2006

Impressiona como esse filme consegue costurar bem uma série de sequências poderosas. Não é só uma abertura lindona em super 8, nem a moto de João – noite ou dia – buscando Hermila, a entrega do prêmio da rifa ou, muito menos, o final desconcertante. Para além disso, tem um belo de um rejunte: a expressão sincera da perdição da mulher de quem se espera tudo e a quem se ajuda nada, inserida numa comunidade, por si, já marginalizada.

2001: uma Odisseia no Espaço
9 | 2001: uma Odisseia no Espaço | Stanley Kubrick | 1968

Deve haver um lugar especial no inferno para aqueles que não colocam esse filme na primeira colocação de qualquer lista. Humildemente, digo que ele mais me interessou por como não envelheceu nadica que pela genialidade da narrativa. Seria pretensão minha, inclusive, dizer que entendi tudo o que Kubrick quis dizer nessa primeira tacada. De momento, busquei ficar bêbado com as imagens e sons. Deu certo: o conjunto foi uma das coisas mais marcantes a que já assisti. Cabe a revisão.

Pixies
8 | A Professora de Piano | Michael Haneke | 2001

Quando diz não ter sentimentos, a protagonista serve como uma espécie de alter-ego da persona do diretor perante o cinema. O pessimismo impregnado em cada enquadramento tem vazão, também, nos movimentos complexos da personagem-título – meio revoltada com tudo em volta, mas, sobretudo, rígida. Entra aí a habilidade soberba de Huppert, totalmente à disposição da história para ter sua arestas humanas exploradas à minúcia.

O Joelho de Claire
7 | O Joelho de Claire | Éric Rohmer | 1970

Da nota de falecimento do velhinho no Jornal da Globo, o que me chamou a atenção foi a paleta de cores desse filme. A grama parecia muito mais verde e o céu, muito mais azul que o normal. De fato, é tudo muito saturado e bonito, mas, estando do outro lado, o que me marca nessa joia é o estudo sobre o romance preparado pelo protagonista – e talvez Rohmer tenha feito a desconstrução de relações amorosas mais imponente que já conferi.

Festa de Família
6 | Festa de Família | Thomas Vinterberg | 1998

O expoente máximo do Dogma 95 é arrebatador. Assisti-lo é como ser saco de pancadas dum mundial de boxe. O roteiro ácido, a câmera treme-treme, as atuações contundentes – e qualquer outro recurso possível – são preparados para dar porradas na boca do seu estômago, sem cessar. Com toda essa lavação de roupa suja, o diretor passa uma finíssima peneira moral na hipocrisia, a fim de mostrar o ser humano como essencialmente podre.

O Importante É Amar
5 | O Importante É Amar | Andrzej Żuławski | 1975

Fui dar conta do estrago que O Importante É Amar havia causado em mim há pouco tempo. Percebi que a cena que mais me tinha impressionado no cinema era a abertura desse projeto pitoresco. Talvez esteja longe das unanimidades, mas se me pedissem para explicar o que é mise-en-scène, daria a sugestão de começar por aqui. Tudo parece uma orquestra ensaiadíssima para sublimar a performance de Romy Schneider.

Uma Mulher É uma Mulher
4 | Uma Mulher É uma Mulher | Jean-Luc Godard | 1961

Essa, que há de ser minha comédia romântica preferida, é um filme de ícones. A abertura já pressupõe que é uma obra de Belmondo, Brialy e – mais que ninguém – Karina. O jeito blasé e anticlimático de Godard juntar as pontas mostra o tamanho da preguiça que ele tem das convenções. Tão revigorante que compensou o banho de água fria assustador que eu levara na minha iniciação na sua carreira, com Filme Socialismo.

Vidas Secas
3 | Vidas Secas | Nelson Pereira dos Santos | 1963

Uma coisa levou à outra. Do trabalho de Literatura, fui ao filme. Do filme, ao livro. Talvez não seja o caminho mais admirável a se seguir, mas, de todo jeito, Baleia mudou minha vida como nenhuma outra personagem. Das palavras de Graciliano, dos Santos reinventa uma história tão rústica, desconfortante e emocionante quanto a do material original, mas se supera naquilo que era mais difícil: transpor a pobreza, concreta e abstrata, para o frame.

Persona
2 | Persona | Ingmar Bergman | 1966

Bergman tem o controle total sobre a linguagem do cinema – aterroriza com a imagem, instiga com a sugestão e prende com a habilidade de mestre. O trabalho de fotografia em claro-escuro é, de longe, o mais primoroso que já vi. O fantástico caso psicológico é encenado com uma primazia única. Esse é, então, um filme de superlativos. Acredite se quiser: (500) Dias com Ela e A Primeira Noite de um Homem me trouxeram aqui.

Sátántangó
1 | Sátántangó | Béla Tarr | 1994

Esse épico de sete horas e meia é uma exposição de largas paredes de cavernas cheias de desenhos rupestres caprichados. É a alegoria da comunidade húngara que, sem sucesso, luta para sobreviver no pós-comunismo. De pouco importa o contexto, porém: a narrativa da decadência está fadada à repetição em qualquer outra situação imaginável. Num misto de curiosidade pueril e rigoroso domínio da imagem, Tarr constrói, nos três capítulos intermediários, o que eu considero como a obra mais próxima da arte pura.

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Na caixa: Top 10 descobertas musicais de 2011

Quando percebi que 2011 estava sendo bastante prolífico em termos de descoberta de músicas notáveis, propus um auto-desafio: listar, no fim do ano, aquelas que mais me haviam marcado. Na brincadeira, cheguei à lista que segue abaixo, totalmente sem pretensões de chegar a lugar algum e com certa consciência das presepadas cometidas.

Aqui, só entram canções que eram inéditas para mim até o início desse ano, sem restrições de data de lançamento. Fora isso, impus o limite de uma faixa por autor. Para a maioria das selecionadas, indico um link para acompanhamento, seja das versões de estúdio, clipes ou de performances ao vivo: se quiser ouvir, é só clicar sobre a imagem.

Cansei de Ser Sexy
10 | Art Bitch | Cansei de Ser Sexy | 2005

A faixa em questão não é o expoente máximo da cacofonia que impera sobre o disco de estreia da banda, mas serve como perfeita introdução ao conceito da brincadeira do álbum. A arte no inusitado, a arte como masturbação mental, a arte pela diversão. Mais leviano, impossível. A questão é que a ideia só funciona tão bem por causa dessa adorável engrenagem fuck-it. Podem julgar à vontade, mas sempre fui meio afeito ao dadaísmo.

Nesli
9 | La Fine | Nesli | 2009

Se, em sua reinterpretação, Tiziano Ferro  falando palavrão me deu uma preguiça absurda, a versão original é à prova de balas. É uma daquelas músicas feitas sob medida para desarmar qualquer um. Não sei se pelo piano, que no contexto soa deslocado, ou pela voz rouca discursando a letra, mas ela soa genuína e daí vem sua força. Talvez tenha gostado tanto porque o refrão edificante parece mais um mantra que, de fato, uma crença.

Pixies
8 | Hey | Pixies | 1989

O clássico Doolittle combinou muito com a época em que o conheci. Na tentativa de dar certa consistência a uma massa confusa (minha vida), o caos charmoso desse disco me pareceu o caminho a seguir – se não fosse o melhor, já seria alguma coisa. O álbum todinho me soa como uma ode ao desespero, mas essa faixa, em particular, me remete a um ciclo vicioso de tentativas frustradas de largar a escrotidão. Faz todo o sentido do mundo.

Nick Drake
7 | Which Will | Nick Drake | 1972

Ainda que tido como um disco depressivo por excelência, Pink Moon me passa uma impressão justamente contrária, de calmante natural. O folk de Drake é um meio-termo entre o fio de água escorrendo e o acalanto da mãe. Mais que um drama de agruras do amor, essa faixa me parece uma tentativa sincera de compreensão e aceitação de que nossa vida depende do livre-arbítrio de outrem.

Vasco Rossi
6 | Senza Parole | Vasco Rossi | 1994

Não sei se algum dia terei coragem suficiente para escutar a versão original dessa música. Apostaria que não. A versão do Eduardo no karaokê dos Pasini é, para mim, a definitiva. Reconstitui uma das etapas mais bacanas da minha vida e resgata uma miscelânea de sentimentos que poucas outras canções dão conta de evocar. É uma pena, de verdade, que não tenha sido registrada. Interpretação antológica.

Sigur Rós
5 | Gobbledigook | Sigur Rós | 2008

Með suð í eyrum við spilum endalaust (fiz questão de aprender a escrever isso à mão) é mais um estado de espírito que um álbum propriamente dito. Quando fui apresentado a essa música, me disseram que ela trazia “uma liberdade única”, uma coisa meio tribal que fazia até o mais agitado dos paulistanos se conectar à natureza. É tudo verdade. E mais: não há canção mais apropriada para correr na chuva.

Manel
4 | Benvolgut | Manel | 2011

Do disco do ano vêm uma série de faixas notáveis: a melhor delas é um épico de letra quilométrica que me embalou no início de um bocado de jornadas. Não só deu um verniz empolgante a meu deslocamento diário à parada de ônibus como me fez voltar à infância me animando a um desafio constante de inferência às escuras do sentido daquelas palavras catalãs todas. Ficou longe de surtir o efeito desejado, mas teve consequências divertidas.

Grizzly Bear
3 | I Live With You | Grizzly Bear | 2007

Derek Cianfrance, te devo uma. Não fosse Namorados Para Sempre, dificilmente teria chegado a Veckatimest, um disco de que gosto tanto que meu coração chega a doer quando o escuto.  Esse conceito de letras simples com melodias arrebatadoras (o que dizer do refrão todo soltinho, culminando na desordem cacofônica do final?) tem, em mim, um  grande fã. A performance linkada é uma das que mais me impressionou nesse ano.

Chico Buarque
2 | Construção | Chico Buarque | 1971

O texto de Construção é habituê das apostilas de Português e História. Curiosamente, nenhum professor teve a brilhante ideia de me apresentar a música em si. Veja a ironia: tive meu primeiro contato com ela enquanto preparava um mixtape especial para a família italiana que me estava hospedando e fui tomado por um misto de saudade e orgulho do meu país. Pela veia dramática, não chegou ao corte final (preferi a mais “leve” Cotidiano), mas, desde então, a obra-prima não me deixou em paz.

Björk
1 | Jóga | Björk | 1997

De vez em quando, dou uma de idiota desavisado. Decidi conhecer Homogenic na parada de ônibus. A começar por Jóga. Logo Jóga. Como resultado, os gritos de emergência da Björk, impiedosos, me destroçaram em pedacinhos. Só não comecei a chorar em público por intervenção divina: acabou a bateria do meu mp3 na metade da música. Não é por nada que, hoje, se pudesse, levaria esse disco debaixo do braço para qualquer canto que fosse.

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